29.11.07

FUGA Nº II


Hoje eu vou fugir de casa
Vou levar a mala cheia de ilusão
Vou deixar alguma coisa velha
Esparramada toda pelo chão
Pra onde eu vou, ah
Pra onde eu vou, venha também
Pra onde eu vou, venha também
Pra onde eu vou


Não sou Rita Lee, mas também sou Mutante...

PORTAS


Meu coração tem duas portas.
Numa vive um gato negro que alimento secretamente.
Na outra, um cão fiel me acompanha todos os dias.
Uma, vive fechada e dela ninguém sabe. Escondo ali minhas mais antigas lembranças, sinfonias, quadros, livros, escritos, idéias, sonhos, segredos, saudades. Delas, é o gato meu guardião.
A outra, se abre e se fecha. Ali transita meu dia a dia, minha vida comum. O cão passeia comigo, me faz as vontades, me tira de casa, me cansa, me casa, me lambe, me causa alegria e não me deixa só.
O gato compreende o pedaço de mim que é louco. Sabe que também gosto de telhados altos para cochilar no sol ou ver a lua bem pertinho. É ele que aponta comigo as estrelas da via láctea sem medo de verruga. É ele quem me lembra de como se faz para pensar o mundo do avesso e não ter idade.
O cão me guia nas estradas, tem faro e bússola. Com ele não me perco, me comporto, sou gente comum, não ouso e nem arrisco. É com o cão que acerto o passo.
O gato é a fantasia irrealizada.
O cão, é a realidade cotidiana.
(Autoria desconhecida)

25.11.07

ALMAS


Enquanto ela espreita pelo portão abandonado, o fantasma solitário toca Chopin atrás da janela. Ela sonha com vidas passadas. Salões. Castiçais. Relógios de pêndulo. Coisas que até nem existem mais.
Ao vê-la pelas frestas ele e o piano quase adquirem vida. Sem saber que ela não escuta. Sem saber que ela nem sabe. Então, ela se afasta do portão. Meio tonta, meio zonza, feito alma penada. E a casa fica novamente naquele silêncio. Abandonada.