16.2.08

Maldita hora! Acertando o relógio digital.

Para mim, o início do horário de verão é uma grande alegria e uma enorme irritação. Já o final, é irritação pura.

Explico: eu gosto do horário de verão e dos dias longos, quanto mais longos melhor. Sou adepta dos happy hours, de saídas do trabalho em finais de tarde ensolarados e noites que custam a chegar. E gosto também dos relógios digitais, que dispensam aquele ponteirinho apressado, que nunca nos deixa esquecer a passagem do tempo. Acho bonitinho, mas não uso.


Pois é. Tudo seria muito bom se com a chegada do horário de verão eu não tivesse que acertar meu relógio digital. Se você tem um, deve saber do que estou falando. Definitivamente, não existe coisa mais irritante do que tentar descobrir como funciona o maldito menu dessas engenhocas. Você aperta aqui, fuça ali, fica com o dedo doendo, faz várias tentativas e nenhuma dá certo. Daí você lembra que deve haver um manual numa das gavetas da casa. Você encontra várias coisas perdidas, mas do manual, nada...


Mas, se você é como eu, insiste. E fica ali, tentando, tentando, tentando, até que de repente, pum! Não sabe como, funcionou! Só que a essa altura seu humor foi pro espaço e o tempo que você gastou na tarefa acabou sendo maior do que essa hora a mais que se ganha ou perde na mudança de horário. Ou seja, perda de tempo pura, irritação maior ainda. Acho que vou escrever pra Fernanda Young sugerindo essa pauta.


Este ano, resolvi me antecipar e fazer a operação irritante antes da meia noite. Pensei: quem sabe se com calma, sem pressa, a coisa vai. Bem, já se passaram umas duas horas de tentativa: pára um pouco, remexe gavetas, volta, mexe mais um pouco, quebra a unha, olha um pouco de tevê, procura um manual no google (não tem!).


Desisti! Odeio me sentir impotente e ignorante frente às tecnologias, mas dessa vez me rendo: amanhã vou numa dessas relojoarias do shopping e humildemente pedirei ajuda a um vendedor! E até o próximo horário de verão, do qual me despeço hoje esperando que inventem um relógio digital que acerte sozinho, como o dos celulares.

8.2.08

NavegAntes

“Eu queria ser o teu caderninho, pra poder ficar, juntinho de você...”
Parecia que eu havia sido transportada para os anos 60, com o radinho de pilha colado no ouvido e o Erasmo embalando meus sonhos adolescentes. Mas, estávamos mesmo em 2008 e eu, por acaso, havia ido parar na Vila de Itapuã (município de Viamão, região metropolitana de Porto Alegre) bem no dia da comemoração da Festa dos Navegantes.
Os alto falantes animavam a festa com o som da jovem guarda na pequena praça em frente à Igreja, construída no ano de 1875. Os moradores do local se divertiam comendo peixe frito nos botecos, tomando uma cerveja, circulando com bebês e cachorros guaipecas. Quando chegamos, ali pelas 4 e meia da tarde, uma multidão já se reunia para dar início à procissão rendendo homenagem à santa dos navegantes – a Vila de Itapuã abriga uma colônia de pescadores e é sede de um clube náutico.
Enquanto aguardávamos a procissão retornar, demos uma volta na pequena vila, entramos no Clube Náutico - aliás, sem licença - e fizemos umas fotos da praia. O lugar é lindo, Lagoa dos Patos exuberante à nossa frente, convidando a um passeio de barco. Dali saem passeios no barco Farol de Itapuã, com duração de algumas horas ou até de um dia inteiro.





Logo descobrimos que os ares de antigamente não se restringiam às músicas de fundo. Ao lado da Igreja, descobrimos o quê? Uma barraquinha de tiro alvo! Ah, bons tempos em que as pessoas se divertiam com coisas simplinhas e inocentes...
“Esse ano a festa não tá das melhores”, desculpou-se um simpático senhor que cuidava do tiro ao alvo, quando puxamos assunto. Soubemos que dessa vez foi uma das beatas da paróquia que cuidou de tudo e que no próximo ano voltará a ser uma festa grande e bem organizada, como sempre foi.
“A coisa já não é a mesma hoje em dia! Antigamente eu tirava mais de 50 real por dia, agora quando muito dá 15, 20 ...”, queixou-se o “empresário” da barraquinha de tiro ao alvo quando perguntamos se muita gente jogava. Eu não resisti à tentação e dei meu tiro simbólico, já sabendo que as espingardas do jogo não foram feitas para a gente acertar a pontaria. E pelo visto, muito menos para dar lucro ao dono do negócio, ao menos hoje em dia...










Tinha algodão doce, criança vestida de anjinho, barraquinha de artesanato, cachorro solto e feliz, senhoras devotas com velas e flores artificiais. Tinha fé, alegria e simplicidade.





A falta de recursos da festa não tirou o seu encanto. Tomamos um sorvete no Caluna’s e fomos embora de alma lavada, depois do pôr do sol. Quem sabe não voltamos no próximo ano?