30.1.08

A BALSA MOVIDA A POLENTA






Alguém aí já fez a viagem de Veranópolis a Antônio Prado, via Nova Roma? Não? Pois eu recomendo, especialmente para a talianada, que curte apreciar a vida e as paisagens da imigração italiana na serra gaúcha. O caminho é de chão, claro, meus caminhos preferidos são sempre os de terra, muito pó puro, que quando eu era criança me diziam que fazia bem pro pulmões. Pros pulmões eu não sei, mas pra alma...



Bem, pois esse trajeto é lindo, passa pelo rio das Antas e outros pequenos afluentes, muitos parreirais e capitéis, porque gringo, você sabe, é católico até as orelhas. Igrejinhas bonitas no meio do campo também não faltam e a gente fica imaginando as famílias, com roupas de domingo, indo à missa. É na na paróquia que se paquera, se namora, se faz festa, fecha negócios e se casa.



No meio do caminho, um pouco antes de se chegar a Nova Roma, encontra-se um pequeno rio, sem ponte. Ali, há uns 5 anos atrás, colocaram uma balsa pra atender o movimento de automóveis, provocado pelas barragens que estão sendo contruídas na região. Atravessar um rio de balsa é uma das coisas mais deliciosas de uma viagem pelos cudimundos dessa vida. Fazia muito tempo que eu não via uma. Não sei se todas as balsas tem, mas essa tinha uma campainha! Pendurada numa árvore, com a devida placa indicadora escrita no mais popular português, está a tal campainha que você aciona para chamar o seu Zulmiro de Bassani. Seu Zulmiro é funcionário da prefeitura e, acreditem, gosta do que faz. Pra ele não tem tempo ruim: pode estar chovendo ou fazendo menos de zero grau às 2 da manhã, que ele se levanta, põe uma capa e atende ao chamado da campainha. A esposa e os filhos dão uma mão. E lá vem e vai seu Zulmiro puxando o cabo da balsa pra lá e pra cá. Me espanto ao ver que ele passa o dia nesse muque todo e ele responde: "é balsa movida a polenta!". Ah, que vontade de provar a polenta! Ele quer saber de onde estamos vindo e pra onde vamos. E é a vez dele se espantar com alguém que queira ir a Nova Roma por ali, sem ter um parente lá ou outro motivo relevante. Isso não costuma ser roteiro turístico. E diz: "isso aqui é um lugar muito bom pra morar. Não é como na cidade grande... Eu deixo meu fusca aberto com a chave e tudo, não fecho nunca, a não ser quando chove!"



Uma parte de mim morre de inveja do seu Zulmiro que, enquanto estou aqui ouvindo a chuva pela janela com grades e contando essa história, está lá: correndo pra fechar a porta do fusca e vendo a chuva cair no rio.


ANJOS DA ESTRADA






Todo viajante sabe que durante o caminho vai precisar de pequenas coisas que tornam o trajeto mais agradável e gostoso. Uma parada para um picolé ou café (depende da estação do ano), um xixistopi (de preferência num bom posto de gasolina onde tenha sabonete e papel higiênico), um belvedere pra espichar as pernas enquanto contempla o panorama... Outras vezes a gente precisa daqueles que eu chamo de anjos da estrada, que estão de plantão pra socorrer em momentos de dificuldade qualquer. Na maioria das vezes são pessoas bacanas que dão informações, sejam moradores do lugar, borracheiros ou policiais rodoviários.

A viagem de Urubici a S. Francisco do Sul foi uma dessas indiadas (muito comuns nas minhas viagens, mas mesmo assim encantadoras) em que a gente decide pela estrada errada. Eu tinha planejado direitinho todo o percurso, calculei tudo pelos mapas, me assessorei de informações pela internet, guia 4 rodas e tal. Pois é. Acontece que o pessoal do hotel achou que o caminho melhor não era bem o que eu tinha planejado e sugeriu outro, que, por minha vez, tratei de adaptar digamos... um pouquinho só. Seu Arnaldo, o bom motorista, concordou. (quem leu postagem anterior já sabe que seu Arnaldo é um personagem que inventei).

Voltando ao relato: decidimos sair de Urubici e pegar a rodovia que leva a Florianópolis até um trecho e depois ir para Brusque via Leoberto Leal. Já ouviu falar? Eu também não. Pois existe e para chegar lá percorre-se uma linda estradinha de chão de mais ou menos - bem, não lembro agora, mas certamente até Brusque mais de 60 km. Sem noção, né? Realmente, na hora não olhamos a quilometragem toda no mapa, empolgados com a beleza da estradinha cheia de vacas pastando, riozinhos com nomes esquisitos e pequenas pontes. Eu estava adorando, pois como co-pilota que não dirige, meu trabalho é apreciar o panorama. Mas, seu Arnaldo não estava nos seus melhores dias... E começou a passar mal com o calor e o trajeto que não acabava mais. Paramos numa linda cachoeira para um refesco, mas o mal estar só piorava. Foi, foi,até que chegamos, depois de umas 2 horas, ao " centro" de Leoberto Leal.

Ah, que rico lugarzinho, um encanto! Daqueles que só tem uma igrejinha e uma rua. Descemos para tomar uma Coca na lancheria local e eu me atraquei nuns maravilhosos bolinhos de carne, ainda quentinhos. Já era meio dia e sabe-se lá quando eu ia comer novamente, exceto as maçãs e bolachas do nosso farnel.

Seu Arnaldo, porém, passava mal. Doíam as costas, demais, e ele começou a sonhar com a sua massoterapeuta, a única que consegue colocar em dia as suas paletas estressadas. Seu Arnaldo, sempre bem humorado e disposto, já tinha se arrependido completamente da decisão de seguir pela linda estradinha de chão. A moça da lancheria sugeriu um outro caminho: vai até Rio do Sul por asfalto, depois a Blumenau e dali segue pro norte. Encurtava muito o caminho, mas tivemos que abrir mão de passar por Brusque. Ok, mas mesmo assim, seu Arnaldo piorava a cada quilômetro rodado, não queria nem papo. Cruzamos um monte de cudimundos e quando chegamos na rodovia que acessa Rio do Sul, o que eu vejo?? Uma enorme placa: MASSOTERAPEUTA JOSENEI MARTINS.

Eita que o anjinho da guarda estava mesmo de plantão! Lancei o alerta para seu Arnaldo, que deu meia volta e parou pra tentar um atendimento de urgência. Não só conseguiu que o Josenei o atendesse na hora, como descobriu nele um colega. Josenei também é professor universitário e está iniciando seu doutorado na USP. Massoterapeuta de mão cheia nas horas vagas. Bacana, né? Josenei nem sabe o bem que fez: enquadrou-se na categoria dos anjos da estrada. E a viagem continuou melhor, tirando o fato que tivemos que passar pela pior rodovia da minha vida, entre Rio do Sul e Blumenau, onde há o maior número de caminhões por quilômetro rodado. Mas isso já é outra história.

29.1.08

PREGUIÇA


A preguiça é um estado de alteração de consciência. Lentamente você vai entrando numa espécie de realidade artificial, onde só há sofás, poltronas, livros, biscoitos, dvds, revistas, frutas, mais livros, lençóis, café, sonhos... Você nem precisa fechar os olhos, simplesmente se entrega para essa viagem que - você sabe perfeitamente bem - um dia tem que acabar. O calendário se confunde, vc não sabe mais que dia é hoje. As horas? Você ignora. Quando percebe está completamente tomado por essa sensação de aaaais, huuuuummmmmmms e bocejos que por mais que vc durma insistem em lembrá-lo de que vc pode dormir um pouquinho mais.
Ah, a preguiça! Como não ficar dependente dessa droga, que engorda, enferruja e ignora sua capacidade de pensar e fazer algo produtivo? Você até pensa em sair dela, mas ela lhe puxa, insiste: fica mais um pouquinho, vai... (a preguiça é sedutora!) E você rola para o lado dela mais uma vez, mais uma vez.
O poeta propôs a preguiça como um método de trabalho. Duvido que ele tenha conseguido. Ou se escreve e não se tem preguiça, ou se tem preguiça e não se escreve. Por falar nisso, tá me dando uma preguiiiiiça... Que horas serão, hein?
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28.1.08

O URBANO NÃO ME DESCANSA

Naquela vida que não me lembro devo ter sido outro tipo de pessoa. Um explorador, um pirata, navegador, índio... Devo ter me criado no mato, de pés descalços, andando na floresta, me orientando pelas estrelas num tempo em que não havia luz elétrica. Ah, eu gosto de luz elétrica e de banho quente, sim. Eu gosto de tecnologia, de novidade, de modernidade. Mas nada me descansa no mundo urbano. Descanso é na noite bem escura, no cheiro de bosta de vaca, na onda que bate nas pedras e na trilha do meio do mato onde cantam muitas cigarras. Descanso é usar uma bússola e não precisar de sinaleiras.
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27.1.08

Água Para Elefantes

O título "Água para Elefantes" é uma referência ao livro de Sara Gruen, que relata em forma de romance a história dos circos americanos. Trata-se de uma narrativa comovente, fundamentada em fatos reais pesquisados pela autora e conta a história de um homem que viveu muitos anos no circo, naquele tempo em que os circos viajavam de trem.

Ainda tocada pela leitura do livro, me deparei com a chegada de um circo em S. Francisco do Sul. Não resisti à tentação de ver de perto. Hoje, os circos estão em plena decadência e pobreza. Vi um cãozinho amarrado dentro do porta malas de um dos treilers e uma avestruz presa um cercado em pleno sol, o que confirma nos bastidores o que já sabemos: circos maltratam animais. Vi cãezinhos recém nascidos e quando me encantei por eles uma senhora gorda sugeriu que eu os levasse comigo, visivelmente ansiosa para se livrar deles. Um dos filhotes era pretinho com pernas muito curtas e não pude deixar de pensar que ele parecia um anãozinho de circo...
Não tive coragem de puxar papo com a mulher. Seria uma trapezista? Domadora? Não há encantos nem fantasias nos bastidores pobres de um circo chamado Reality. Apenas realidade mesmo.



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22.1.08

NOMES DE BARCO

A viagem a S. Francisco do Sul - SC, despertou meu interesse para barcos e, em especial, para os nomes que dão a eles. Para dizer a verdade, eu nunca havia reparado o quanto são curiosos e algumas vezes divertidos os nomes de barcos. Fui fazer uma rápida pesquisa e fiquei sabendo que eles em geral se inspiram em temas: o próprio mar (Ocean), religião ou nomes de santo, nomes de seres marinhos (Orca), nomes mitológicos (Netuno), nomes de ventos (Brisa), nomes de astros (Jupiter), mas principalmente nomes que fazem referência a uma mulher, como se ao lhe dar o nome, esta lhe fizesse companhia na solidão do mar. Uma graciosa canoa que vi chamava-se "Atrevida". Reparei também que a sofisticação do nome parece acompanhar o preço do barco em alguns casos e que os estrangeirismos conferem ao proprietário de um pequeno barquinho a sensação de uma importância maior. E às vezes o estrangeirismo vem com uma divertida ortografia abrasileirada: "Spaic"!
Na minha pesquisa soube também que dá azar mudar o nome de um barco, portanto é bom que o dono pense bem antes da escolha...
A propósito do tema, visitei o Museu do Mar em S. Francisco do Sul e recomendo para quem se interessa por navegação, embarcações e histórias do mar. É a maior coleção de embarcações brasileiras e tem miniaturas e reproduções de barcos do mundo inteiro, contanto toda a história da navegação no mundo. Realmente interessante, num prédio lindo, amplo, reformado especialmente para abrigar o museu.
Clique em NOMES DE BARCOS, álbum com uma coletânea de barcos que iniciei.

17.1.08

URUBICI E SUAS PAISAGENS FANTÁSTICAS

Realmente não dá para não ser superlativo ao falar em Urubici, pois aqui o panorama é mesmo grandioso. A cidade fica encravada entre morros, um verdadeiro panelão. Aliás, lá existe uma chamada Serra do Panelão. Mas fomos ver o Morro da Igreja, ponto mais alto da região sul. O GPS marcou 1810 metros acima do nível do mar. Chovia a cântaros, mas fomos mesmo assim. Aliás, essa chuva foi também incrível, chuva grossa no meio da serra, coisa que não se vê todo dia. Lá em cima, claro, muita nebina e pudemos aproveitar pouco da paisagem. Ao descer, parou de chover e aqui está uma amostra da beleza toda.
Seguimos para a Serra do Corvo Branco, uma estrada tão sinuosa quanto a do Rastro. Entardecia e as sombras impediram que pudéssemos apreciar tudo aquilo, mas em compensação pude ouvir os pássaros se recolhendo numa fenda de pedra enorme e foi maravilhoso, milhares de pássaros gritando. Lugar para voltar sempre!


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SNOW VALLEY


O lugar mais bonito de S. Joaquim chama-se Snow Valley. É uma área de conservação natural preservada por um americano, que deve ter lá seus 80 anos. Comprou as terras há muitos anos atrás e as manteve exatamente como a estão agora, ou seja, uma floresta intocada de xaxins. Para quem não sabe, o xaxim leva 100 anos para crescer 2 metros. Tendo noção disso é que se pode avaliar a preciosidade que temos diante dos olhos visitando o lugar. São xaxins muito altos, inacreditável! Uma mata cerrada, com muitas cachoeiras no caminho, tudo super bem cuidado. Imperdível!

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S.JOAQUIM: LINDO E FRIO!


A paisagem é fantástica, tudo é muito bonito naquelas alturas. Mas é muiito frio! Na segunda feira à noite, em pleno mês de janeiro, fazia 16 graus na praça de S. Joaquim. Na manhã seguinte, já na luz do sol das 8 da manhã, estava 14 graus. Só mesmo nessa época para eu visitar um lugar desses, onde neva no inverno. Me lembrei do Sérgio, que sonha em ver na neve. Não faz parte dos meus sonhos, defitivamente!
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15.1.08

1001 noites ou País do Espelho? A Suíte da Odalisca


Escolhi o Hotel onde ficaríamos em S.Joaquim pela internet e me decidi por um que tinha o conforto de uma hidromassagem. Mas tinha mais!! Fomos parar numa suíte decorada com inspiração de gosto, digamos... um tanto duvidoso! Espelhos por todos os lados, até nas portas do guarda roupa. Torneiras douradas. Cabeceira com espelho e trocentas luzinhas (que aliás, não acendiam, por economia, claro...) Divertidíssimo. Soubemos no café da manhã que o antigo dono é de origem árabe e essa suíte foi decorada para ele e a esposa. Dizem as más línguas que já se separaram. Nossa hipótese é que a esposa não conseguia dormir, tinha pesadelos com tantos espelhos. Não recomendo para casais acima dos 50, já com barriguinhas e celulites. Pode ser contraproducente!
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A CAMINHO DE SÃO JOAQUIM

A idéia de chegar até São Francisco do Sul, em S.Catarina, indo por Vacaria, São Joaquim Urubici, foi ótima. Estradas muito mais vazias e tranqüilas, exceto por alguns argentinos apressadinhos, uns poucos caminhões e rurais willys caindo aos pedaços no caminho. Seu Arnaldo* não liga. Seu Arnaldo é do tipo motora consciente, vai devagar, a passeio, cumpre direitinho as regras de trânsito e não esquenta com tumultos de argentinos querendo passar na frente. SEu Arnaldo vai a 80.
Mas mesmo na vida do seu Arnaldo um dia acontecem coisas fora da rotina. No caminho para São Joaquim, a gente pega um retão, estrada vazia, sem viva alma pela frente. Uma vista linda! E seu Arnaldo se distraiu. Não foi uma distração das grandes, nada disso. Mas foi o suficiente para o Seu Guarda da Polícia Rodoviária parar o carro.
- Documentos!
- Sim, senhor, um instantinho.
Eu, a co-piloto que não sabe dirigir mas é ótima num palpite, peguei ligeiro os documentos no porta luvas.
O Seu Guarda foi lá atrás, conferiu a placa. Voltou, cara feia:
- Pra onde o senhor tá indo?
- São Joaquim.
- E o Sr. conhece a estrada?
- Não senhor.
- Mas ler o senhor sabe, né? E sabe ler as placas! O senhor sabe a velocidade dessa estrada?
- Sim, senhor, é 80, eu passei um pouquinho, né, devia estar a uns 90...
- É! E o senhor sabe o que podia acontecer? Eu podia lhe multar!!! Mas vou dar uma chance... O senhor se cuide, a partir de agora a estrada tá cheia de curva. O senhor vai direito, vai aproveitar o passeio e chegar lá! Senão pode ser muito pior do que pegar uma multa!! Pode ir!
- Sim, senhor. Obrigado!!
Gente, que mijada! Eu não via uma cena dessas desde que que era criança no colégio! Isso é que é fazer valer a autoridade! A gente estranha porque não tá acostumada mais com isso, autoridade é coisa em desuso, fazer cumprir lei mais ainda... Agora: pergunta se fazem isso com os argentinos aporrinhando no caminho? O motora consciente, que anda sempre na linha, mal aproveita um pouquinho o retaõ pra relaxar e apressar só um pouquinho, se rala. Porque não tem isso naquela maldita BR 101??? É a pergunta que o seu Arnaldo ficou fazendo...
* (Seu Arnaldo é o personagem que eu inventei de brincadeira).




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9.1.08

ILUSÕES III

O problema de se focar sempre no mesmo
objeto é que aos poucos ele vai
perdendo a cor.
Não seria essa uma bela metáfora da rotina?

ILUSÕES II

Às vezes é preciso se concentrar em um único ponto...

ILUSÕES

Há sempre, pelo menos, duas maneiras de ver as coisas.
Mas, não se iluda: nem sempre é fácil assim vislumbrar as possibilidades.

5.1.08

Femi Nina

Nina nasceu no início do século passado: 1918. Quando jovem, escovou seu cabelos louros com cerdas de crina e poliu as unhas com um pózinho especial que vinha em um estojo oval, forrado de veludo. Foi bela sem conhecer esmalte de unhas, nem secadores de cabelo. Viveu até os 84 anos, mantendo-se delicada e elegante. Antes de morrer, entregou-me de presente seus belos objetos de toucador. Nina. Feminina.


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